TRILOGIA POÉTICA - Luiz Roberto da Costa Jr
Poesias Por Luiz Roberto da Costa Jr. Quarta-Feira, 08 de março de 2017

TRILOGIA POÉTICA

 

Enquanto aguarda a publicação do terceiro livro da trilogia sobre Mequinho pela Editora Ciência Moderna para o próximo ano. Luiz Roberto da Costa Jr. nos brinda com uma trilogia poética drummondiana com 64 poemas, em três livros, que termina com uma poesia dedicada ao xadrez.

 

 

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Refúgio da Madrugada apresenta influência da poesia drummondiana tanto em relação às três temáticas escolhidas (o indivíduo e a realidade, a poesia e o poeta, o mundo e a adversidade) como pelo resgate da poesia social.

O poema de abertura do livro é baseado numa notícia de jornal que retratou tanto a importância de uma biblioteca ficar permanentemente aberta, 24 horas por dia, como o risco de andar pelas ruas da maior cidade do país, durante a madrugada, quando se perde o último trem de metrô à meia-noite.

Ao se colocar no lugar do outro, ao longo dos poemas, o poeta alterna esperança e desesperança em relação à realidade multifacetada e à adversidade do mundo. O verso “Perdi o último trem de metrô, mas não a esperança.”, que abre o poema que dá título ao livro, faz um claro contraste em relação ao verso inicial do poema “Soneto da Perdida Esperança” no livro Brejo das Almas de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

 

 

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Diante de uma realidade acelerada e muito automática, a pressão e a velocidade das mudanças fazem as pessoas perderem as referências. Vive-se como se o tempo passasse rápido demais, sem se sentir presente na realidade contemporânea.

Em meio à tempestade apresenta poemas de forte cunho social e de introspecção reflexiva, tanto diante do fazer poético como da atual instabilidade política e econômica do país. O poema que dá título ao livro é a metáfora do país à deriva, que acaba atingido durante a travessia, com as pessoas se perguntando a causa do naufrágio.

Este poema resgata toda a originalidade e a polêmica, de maneira contemporânea, que envolveu o poema “No Meio do Caminho”, publicado na Revista Antropofagia em 1928 e, depois, no livro Alguma Poesia de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

 

 

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Neste Tempo de Cólera faz uma homenagem a Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) com o poema “Drummond”, cujos versos são formados por 20 títulos de livros do poeta itabirano. O poema “Apagão” é dedicado ao famoso poema “José”. O poema “Persona” faz referência ao poeta gauche e, além disso, a ideia de fazer o “Poema-Orelha” foi inspirada pela orelha do volume Poemas de 1959.

Neste Tempo de Cólera encerra uma trilogia poética. O livro segue a mesma toada da poesia social, ao apresentar poemas como “Neste Tempo de Cólera”, “O Grito”, “Jornal” e “Esperança”, que retratam a atualidade e o conflito político em voga no país.

A influência da poesia marginal se faz presente, pela primeira vez, em poemas como “Poesia Marginal”, “Separação”, “Mariana” e “Diálogo Íntimo”. A introspecção e o fazer poético continuam presentes em “Instante”, “Revelação”, “Perspectiva”, “Promessa”, “À meia-luz” e “Tempo Incerto”.  A trilogia poética composta por 64 poemas, em três livros, termina com “Tabuleiro da Vida”, ao usar o xadrez como uma metáfora.

 

 

 

 

Tabuleiro da Vida

 

As peças saem da caixa.

Cada uma toma o seu lugar.

Joga-se de acordo com as regras.

Cada uma tem seus movimentos,

suas qualidades e seus defeitos,

suas virtudes e suas limitações.

 

Falta de entrosamento prejudica desenvolvimento.

Há livre arbítrio, mas limitado pelas circunstâncias.

Pensar em sacrifícios e antever o desdobramento.

 

Harmonia permite qualidade e ganho de tempo.

Dá muitas opções no início da jornada,

algumas possibilidades na metade da travessia,

mas há poucas escolhas no final do jogo.

 

Ao fim e ao cabo, as peças voltam para a caixa.

Apesar de erros e acertos, confessam que viveram.