PROJETO DE XADREZ: Os benefícios do xadrez para educação e formação do aluno - por Rodrigo Trevisan
Artigos Quinta-Feira, 02 de fevereiro de 2017

 

 PROFESSOR: RODRIGO TREVISAN

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PROJETO DE XADREZ: Os benefícios do xadrez para educação e formação do aluno

SÃO PAULO-SP 2017

 

INTRODUÇÃO

Este projeto procura apresentar os valores educacionais do xadrez em seus aspectos cognitivo e comportamental. Busca, ainda, apontar como esses valores podem ser canalizados em prol do desenvolvimento psicológico, do desenvolvimento psicofísico e, de maneira mais abrangente, como ferramenta para potencializar e auxiliar na melhora do processo educativo.

OBJETIVO GERAL

Oferecer conhecimento e experiência a instituição e em cooperação com outras disciplinas, conseguir tais êxitos em grupo como um todo no auxílio didático-pedagógico e vislumbrar uma imagem positiva seja isso tanto no campo cognitivo e ético, quanto na formação em caráter geral do aluno.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Propiciar espaço para a prática do jogo de xadrez como “esporte–arte–ciência” de forma orientada e sistematizada;

 Ministrar aulas de capacitação de xadrez para professores;

 Oferecer mais uma modalidade desportiva aos alunos;

 Promover iniciativas de integração entre o xadrez e as disciplinas tradicionais do currículo escolar (interdisciplinaridade).

 

ATIVIDADES DIDÁTICAS:

 Ensino de xadrez como modalidade desportiva, junto a alunos da rede pública e privada de ensino;

 Cursos modulares de capacitação e formação de monitores e instrutores de Xadrez Escolar;

 Consultoria técnica para implantação e acompanhamento de projetos multidisciplinares que incluam a prática do xadrez.

 

ATIVIDADES DESPORTIVAS:

 Organização de torneios de xadrez internos e externos;

 Participação em torneios de xadrez locais e regionais;

 Criação de equipes para representar as escolas.

 

ATIVIDADES CULTURAIS:

 Participação em feiras de ciências internas e externas, promovendo a interdisciplinaridade do xadrez com as disciplinas tradicionais do currículo escolar;

 Educação Ambiental através do jogo de xadrez;

 Exibição de filmes;

 Incentivo à leitura.

 

MATERIAL TÉCNICO

 Mural didático Xadrez;

 Jogos de peças;

 Tabuleiros Personalizados

 Relógios;

 Livros, CDs;

 Computadores, Impressoras e outros recursos audiovisuais.

 

JUSTIFICATIVA

Uma das tarefas mais gratificantes e ao mesmo tempo difícil é o ensinar. Gratificante pelo resultado que a educação proporciona ao aluno, orientação da forma de pensar, de agir, de argumentar, enfim, um indivíduo educado se torna um cidadão no completo conceito da palavra. Por outro lado, as dificuldades são inúmeras e não serão enumeradas todas aqui. Mas uma dificuldade é uma iniciativa que estimule os alunos, crie o anseio em querer aprender e desenvolver seus talentos inerentes. Exatamente neste contexto que é apresentado o xadrez como uma ferramenta que pode potencializar os conteúdos das aulas e o interesse dos alunos.

2 VALORES EDUCACIONAIS DO XADREZ

A aplicação do xadrez auxilia em diversas habilidades ao aluno de forma que ele progrida não só como um praticante, mas também no fundamento educacional desenvolvendo:

“pensamento lógico, poder de atenção e concentração, imaginação, criatividade, julgamento, planejamento, , antecipação, vontade de vencer, paciência, autocontrole, o espírito de decisão e a coragem, a inteligência e o interesse pelas línguas estrangeiras’’, (PARTOS apud FERRACINI 1998, pg. 37).

Howard Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas, dentre elas temos:

[...] Inteligência Lógico-Matemática, Inteligência Linguística, Inteligência Espacial, Inteligência corporal-cinestésica, Inteligência Intrapessoal, Inteligência Interpessoal, Inteligência musical, inteligência existencial e inteligência naturalista. (GARDNER, 2015),

Gardner destaca que o xadrez desenvolve a Inteligência Lógico-Matemática bem como a Inteligência Espacial:

[...] Inteligência Lógico-Matemática, Inteligência Linguística, Inteligência Espacial, Inteligência corporal-cinestésica, Inteligência Intrapessoal, Inteligência Interpessoal, Inteligência musical, inteligência existencial e inteligência naturalista. (GARDNER, 2015),

O jogo em si predispõe momentos em que o praticante deverá visualizar as jogadas futuras tanto dele como do seu adversário, tendo que se concentrar no tabuleiro e visualizar as jogadas sem que se mova nenhuma peça no tabuleiro, somente utilizando a imaginação.

Também contribuirá no desenvolvimento da Inteligência Lógico- Matemática, que é a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. (GARDNER, 1994, pg. 117).

3 PRESSUPOSTOS PARA O ENSINO DO XADREZ

Em primeiro lugar é preciso ter em mente os objetivos gerais da implantação de um projeto de xadrez que visa utilizar seus múltiplos benefícios seja como atividade socioeducativa, de estimulação cognitiva, estudo dirigido e como atividade pré e periescolar. Não há nenhum modelo pronto que possa ser franqueado quando o assunto é a organização do processo de ensino/aprendizagem do xadrez.

É preciso haver pessoal capacitado, alunos estimulados, ambiente apropriado, material e espaço. Enfim, essas são observações capitais. Pensando além, ou seja, tentando dar corpo a um projeto de xadrez na escola serão apresentadas as orientações mais relevantes, sem se ater aos detalhes. São generalidades que, por si só, podem garantir o andamento e conclusão de um trabalho satisfatório.

3.1 Iniciação

É pela brincadeira que a criança começa ter acesso a cultura, o que justifica a introdução do xadrez já nos primeiros anos escolares. Nesta fase ele será apresentado apenas como brinquedo, lúdico e experimental, em que a curiosidade será a ponte para colocar conceitos, noções, objetivos e regras básicas do jogo.

3.2 Aprendizado Básico

Em âmbito geral, projetos de xadrez abarcam crianças do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental em projetos curriculares. Esta é a época do jogo de regras (Piaget), transição da atividade individualizada para a socializada.

No aprendizado básico são necessários tabuleiros, peças, planilhas de anotação, relógios, mural com peças imantadas (preferencialmente) e um professor motivador (essencialmente).

3.3 Regras

Quanto ao elemento importantíssimo do xadrez que chamamos de regra há uma referência a Vygotsky que diz “Através do aprendizado do xadrez, a criança pode elaborar habilidades e conhecimentos socialmente disponíveis, passando a internalizá-los, proporcionando a ela um comportamento além do habitual da sua idade”. O que, em sucintas linhas, poderia ser interpretado também como maturidade social.

3.4 Notações de lances

Ainda no período do aprendizado deve-se ter preocupação com a notação dos lances, item obrigatório a certa altura, pois através das anotações é possível a reprodução de uma partida para apreciação ou analise posterior. Não é difícil perceber mais um benefício da aprendizagem do xadrez no tocante a caligrafia e a leitura.

3.5 Relógio

Longe de parecer objeto de luxo, o relógio foi uma das principais criações que vieram resolver o problema do tempo de reflexão nas partidas de xadrez. Antes, passavam-se dias, há casos de partidas que duraram anos.

Não é possível alguém pensar ir a um torneio sem levar as peças e o relógio. Como na vida, há uma infinidade de tarefas para serem executadas dentro de prazos determinados, às vezes pré-estabelecidos, com o xadrez não é diferente, o estudante deve se habituar a fazer seus lances sem se descuidar do adversário e do tempo.

3.6 Peças e Tabuleiro

Além de orientar o posicionamento exato do tabuleiro, o posicionamento inicial e a movimentação das peças, não residem maiores mistérios quanto à finalidade das peças e tabuleiro. Eles são utilizados exclusivamente para tornar reais estratégias, táticas, manobras, ataques e defesas. Certamente neste ponto será bastante enriquecedor um passeio sobre as origens de cada peça que conhecemos hoje, das peças que foram extintas, dos materiais utilizados para produzir os tabuleiros e as peças no decorrer dos milênios. Será uma viagem cultural de valor incomensurável. Afinal, são anos de existência do xadrez que têm seu nascimento e desenvolvimento atribuído a indianos, chineses e árabes.

3.6 Partidas

Há uma grande abrangência nos formatos de uma partida de xadrez referentes à forma de disputa, ao tempo de reflexão, ao posicionamento das peças e modalidades especiais.

Para que não fique extenso e ao mesmo tempo um capitulo descartável pincelaremos apenas que uma partida pode ser jogada com relação ao tempo, partidas de um minuto até seis a sete horas aproximadamente. Há inúmeros tempos de reflexão, os mais praticados são: 1´m, 3´m 5´ m (internet), 21´m em campeonatos de partidas rápidas presenciais e 6 h, geralmente quando se trata de torneios abertos ou disputas de campeonatos. Existe também o xadrez denominado Random Fischer ou xadrez aleatório, ideia de um ex-campeão mundial, Bob Fischer, que consiste em sortear aleatoriamente a posição inicial das peças para sair do tradicionalismo e dar mais emoção ao jogo.

3.6.1 Xadrez às cegas

Porém, uma das mais fantásticas modalidades é a partida de xadrez jogada as cegas. Ela pode ser jogada tanto por deficientes visuais como por pessoas que enxergam, mas que tenham habilidade desenvolvida nesta área. Anos de prática podem levar qualquer um jogar uma partida as cegas, se o estudo do xadrez for levado a sério. Aliás, eis mais um dos benefícios do xadrez que é o de inclusão social, uma palavra muito utilizada atualmente. Existem campeonatos mundiais neste tipo de modalidade.

3.7 Modalidades de xadrez

O aluno terá contato com outras vertentes do xadrez que não se resumem apenas em jogar uma partida com outro adversário, mas também a criar e a resolver problemas.

Em linhas gerais apenas apontaremos as variedades modais do xadrez que são:

Composição de problemas – um compositor irá criar posições fantasiosas, não ocorridas numa partida real, para outros indivíduos solucioná-las. Excelente atividade criadora em que o problemista usa sua sensibilidade artística em busca da economia (de lances), originalidade, elegância, harmonia, etc.

Solução de problemas – é a solução dos desafiadores problemas de xadrez. Atividade extremamente ligada à concentração, abstração e elevado raciocínio matemático. Essa prática conduz, por analogia de situações já ocorridas, a assimilação de certos princípios mediante a capacidade de generalização ou abstração, o que confere um progresso científico e racional.

3.8 Prática de Nível

No nível mais avançado, o professor deve ter conhecimento da organização de campeonatos, dos sistemas de emparceiramento e chaveamentos. Divulgar e cuidar da parte de arbitragem do evento, resultados, sem esquecer-se de colocar na divulgação o local, a data e o horário do acontecimento.

Entende-se que nesta etapa o aluno já tem o domínio dos fundamentos do jogo, então serão considerados elementos que podem nortear a evolução da prática do xadrez como a atividade lúdica, a atividade esportiva e a atividade educativa. Esta é uma mera enumeração, visto que as três atividades acabam por convergir ou se complementar em determinados pontos.

A atividade lúdica tem como objetivo específico o lazer – como já fora dito – sem preocupação maior e, para tanto, o aluno terá a sua disposição toda estrutura de ensino, buscando novos caminhos, avaliando resultados e inter- relações e oferecendo novas aplicações.

Quanto atividade esportiva, o xadrez pode ser usado como ferramenta pedagógica, que em resposta a variados fatores motivacionais, pode-se abrir para duas vertentes: modelo centrado na técnica e o modelo centrado no jogo. No modelo centrado na técnica o papel do treinador é formar atleta de alto rendimento através de muito esforço e sofrimento que acaba gerando expectativa e ansiedade. Por outro lado, o modelo centrado no jogo, tem o aluno como agente ativo e a competição passa de produto para processo. O aluno passa a desejar competir como forma de aperfeiçoar-se e não apenas para aferir sua competência.

É de suma relevância que a instituição ofereça condições para o aprendizado em que o aluno participe ativamente e que resulte em benefícios para o mesmo. O xadrez colocado como esporte oportuniza formação de valores, oportunidades de escolha, aprendizagem de habilidades e comportamentos.

Por seu turno, o xadrez como atividade educativa traz implícitos os aspectos lúdicos, esportivos e educativos, podendo-se dar ênfase a um deles.

Apenas para salientar o que fora exposto nas linhas anteriores, este projeto é apenas um modelo que pode ser melhorado, como o próprio Egon Carli Klein sugere, porém, àqueles que tem o desejo de implantar um projeto, ou mesmo de rascunhar um projeto para trabalhar na sua comunidade, na escola, enfim, é um bom começo. Depois disso é a determinação, dedicação e objetivos de cada responsável que ditará o rumo do processo. Importante não perder de vista o comprometimento de todos os envolvidos neste processo de ensino/aprendizagem.

O essencial no aprendizado básico do xadrez é a capacidade do professor de motivar os alunos. Pela estimulação individual (curiosidade) e grupal (aspecto lúdico), o professor vai buscar a motivação. Bem motivados, os alunos começam a se integrar com o professor e com adultos. Essa integração é proporcional ao grau de envolvimento de toda a escola no projeto. (Klein, 2003,p.144)

Não é possível esperar progresso de apenas um dos lados, é preciso preocupação e ações multilaterais para que os resultados sejam alcançados.

4 A IMPORTÂNCIA DO XADREZ NA SOCIEDADE MODERNA

Embora seja considerado milenar, o xadrez tem se encaixado perfeitamente na atual conjuntura das variadas necessidades da humanidade. Os estudiosos parecem ter descoberto algumas das aplicações que podem beneficiar a população de forma geral e as crianças em especial. Estudos apontam para o fato de o xadrez ser uma atividade que, entre outras, auxilia na integração entre as pessoas, ajuda melhorar comportamentos esportivos, alia- se intimamente com a informática e é interdisciplinar.

Praticado como lazer ou esporte apresenta importante fator de integração:

 Social, pois não se faz distinção de etnia, orientação religiosa, situação econômica ou categoria social;

 Gênero, o xadrez é extremamente movido a cérebro, sendo a competência e compleição físicos meros coadjuvantes.

 

Portanto, não há acepção de gênero para sua prática. No xadrez contemporâneo não é raro encontrar mulheres como a consagrada Judith Polgar (Húngara), a talentosa Koneru Hump (Indiana) e a campeã mundial Hou Hifan (Chinesa) enfrentando em igualdade de condições jogadores respeitados do xadrez mundial, exemplo: Magnus Carlsen ( atual campeão mundial), Kasparov etc.

Uma vertente talvez não muito conhecida ou aceita do xadrez é sua relação como esporte. Ainda que não seja aceito por um decrescente número de críticos, o xadrez, como outra atividade esportiva, precisa de todo um trabalho especifico até sua consumação, ou seja, o jogo sendo disputado.

Como atividade especifica entendemos os movimentos ou atitudes necessárias à execução de um determinado esporte. Citando o Tênis como exemplo, poderíamos dizer que os movimentos de um tenista estão automatizados no sentido da precisão e velocidade da bola. Entretanto, em frações mínimas de tempo ele precisa decifrar uma situação que o adversário irá lhe impor. Surge, então, um fenômeno próprio do ser humano: a antecipação. Esta, se faz presente de jogada em jogada. No xadrez, ela ocorre também. A elaboração mental é absoluta. (Klein, 2003, p. 89)

Segundo Huizinga, prodigiosa especialista no ensino

[...] o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de determinados limites de tempos e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e uma consciência de ser diferente da vida cotidiana. (HUIZINGA,1996,p.33).

Diferente de décadas passadas, atualmente, a preparação de um bom enxadrista está além do tabuleiro e das horas a fio debruçado sobre livros ou à frente de um software de treinamento. Para suportar algumas “maratonas”, numa partida em que se empregue o tempo clássico para reflexão os contendores podem ficar concentrados até 7 horas. Há então uma importância na preparação física. Isso inclui atividades físicas como corrida, natação, tênis e até mesmo a orientação de nutricionistas, pois estudos deram conta que alguns tipos de alimentos como massas e carne em geral podem diminuir o potencial de concentração dos enxadristas. Isso tudo sem falar na preparação psicológica para sair incólume da pressão que envolve a prática do xadrez.

Certamente, as pessoas que tiverem o privilégio de terem contato com o xadrez de maneira organizada e bem orientada conseguirão aproveitar dessa incrível ferramenta muito mais para vida como um todo do que nos êxitos sobre as sessenta e quatro casas de um tabuleiro de xadrez

5 A IMPORTANCIA DO XADREZ NAS ESCOLAS

A fim de democratizar e divulgar o xadrez escolar, a Federação Internacional do Xadrez (FIDE) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por volta de 1986 criaram Comittee on Chess in Schools (CCS) em português significa Comissão do Xadrez nas Escolas. Tal importância deste conteúdo que ao decorrer dos anos alguns países passaram a incentivar o xadrez escolar, como cita Klein (2003)

Alguns países têm levado o xadrez muito a sério na formação de seus cidadãos e na melhoria da qualidade de suas crianças. Serão citados apenas três países que tomaram atitudes proativas e direcionadas.

É o caso da França que desde 1976 patrocina competições escolares e incentiva o ensino de xadrez como atividade socioeducativa, de estimulação cognitiva e de estudo dirigido.

A Rússia é conhecida em todo mundo como excelência no ensino e por formar uma legião de jogadores de competição. A partir da década de 80, a influência dos astros e campeões mundiais Kasparov e Karpov, fazia com que seus torneios escolares tivessem a participação de milhares de crianças, e, atualmente, devido à final do mundial de 2016 entre os jogadores Magnus Carlsen (Noruega) x Sergey Karjakin (Russia), o Presidente da Rússia, Vladimir Putin disse que “é necessário desenvolver o xadrez em todo país porque se orgulha de sua própria escola de xadrez e dos mestres antigos e atuais”. (http://www.chess-in-schools.org/news/2016/12/26/--1).

A Hungria reserva lugar de destaque para as atividades enxadrísticas escolares com a participação ativa dos pais. As irmãs Judith, Suzan e Sofia Polgar juntamente com o ex-prodígio Peter Leko são os principais nomes do país.

A cada ano, nota-se um significativo aumento no número de escolas que vêm oferecendo cursos de xadrez para os seus alunos. Em parte, isso se deve aos profissionais da área, que convencidos da sua proposta, oferecem seus serviços nas escolas, mas fundamentalmente, esse fenômeno se dá porque cada vez mais, orientadores educacionais veem no xadrez uma importante ferramenta pedagógica que pode ser utilizada em benefício do desenvolvimento da criança e do adolescente.

De acordo com Gilberto Milos, renomado enxadrista campeão brasileiro e de tantos eventos importantes no cenário nacional e internacional, para tirar proveito de sua função educativa é de fundamental importância que o xadrez, pensando num público infanto-juvenil, seja organizado numa escola ou clube com o intuito de que os discentes alcancem os seguintes objetivos:

 Aprender a elaborar uma hipótese e, com isso, planejar uma ação;

 

 

 Adquirir hábitos de perseverança e domínio da vontade;

 Perceber os mecanismos da atenção e concentração;

 Exercitar diferentes tipos de memória, em especial a visual;

 Aprender a fundamentar alternativas após identificá-las com clareza;

 Classificar alternativas e estabelecer com elas seqüências lógicas;

 Liberar processos de fantasia na criatividade;

 Aceitar o confronto como método de avaliação de progressos;

 Valorizar as atitudes de meditação para a produção intelectual.

 

Em Xadrez a Guerra Mágica, o autor também faz sua síntese sobre a prática regular e orientada do jogo de xadrez apontando para o fato de que ela desenvolve harmonicamente as faculdades mentais, forma o que denomina espírito prático (as derrotas são lições para futuras vitórias) e a integração da personalidade, além de facilitar a tendência a uma conduta ética e científica.

Estudos realizados por Diakow, Ptrovsky e Rudik, (Rússia,1925) – concluíram sobre o Grandes Mestres de xadrez que os fatores do talento estavam baseados numa excepcional memória visual, poder combinatório, velocidade de cálculo, poder de concentração e raciocínio lógico. Vários investigadores opinam que o xadrez não somente requer essas qualidades como também tem poder de tornar tais potencialidades em realizá-las. Segundo John Artise (“Chess and Education”, 1972), os estímulos visuais tendem a melhorar a memória em maior proporção que outros estímulos e afirma que: “[...] O Xadrez é sem dúvida um excelente treino para a memória, cujos efeitos são transferíveis para outras atividades que requerem memória”.

Os escritores e enxadristas Felix Sonnenfeld e Idel Becker classificam o xadrez como Jogo à medida que é esporte, competição, expectativa, divertimento; Ciência no tocante a ética, estudo, pesquisa, descobrimento, criação e por fim Arte quanto à beleza, emoção, admiração e harmonia.

6 O ENSINO DO XADREZ

Em relação à faixa etária, como o tema anterior versa sobre o xadrez na escola, é possível ocorrer uma tendência para que a idade escolar, a partir dos seis anos ,principalmente, seja o padrão para fazer a incursão das crianças neste novo mundo.

Incorporando o xadrez na prática pedagógica, cria-se o jogo educativo de cujas funções concomitantes são a função lúdica geradora de diversão, prazer, integração e a função educativa fundamental no aprimoramento do individuo. Como adendo, cabe fazer referência aos três períodos de jogos elaborados por Piaget e que, portanto, como poderá ser visto, é anterior a chegada da criança a escola. O primeiro período é o dos jogos de exercício, aproximadamente nos dezoito meses, baseados na repetição e manipulação para desenvolver atividade motora; os jogos simbólicos, aos dois anos, contam com a representação da linguagem, é o faz de conta; por fim os jogos de regras, aos seis anos, já na idade escolar, marcam a transição da atividade individual para a socializada, é neste período que os estímulos mais ricos serão melhores absorvidos. Aqui a curiosidade e o interesse são latentes. Pelo exposto, aconselha-se o xadrez apenas como brincadeira descompromissada até a idade escolar e a partir daí proporcioná-lo como jogo propriamente dito.

7 APLICAÇÃO DO XADREZ EM OUTRAS ÁREAS DO CONHECIMENTO

A riqueza do xadrez está na sua natureza multidisciplinar, afinal há algum tempo pesquisas constataram que a “aplicação dessa ferramenta pedagógica formidável poderá ser feita em inúmeras áreas da escolaridade e na avaliação da criança, quanto ao seu desenvolvimento pessoal, familiar ou social” (KLEIN, 2003, p. 117). O autor aponta algumas áreas em que o xadrez pode influenciar de maneira capital, no entanto, antes de enumerá-las há uma preocupação com a qualidade dos monitores que têm se esforçado para introduzir o xadrez escolar. A grande maioria deles conhece apenas, e de forma não muito convincente, movimentos e regras básicas do jogo. Em

primeiro lugar, antes de se iniciar um projeto enxadrístico é de fundamental importância a adequação e qualificação dos profissionais que trabalharão na empreitada, caso contrário os resultados esperados não serão satisfatoriamente alcançados.

Ponto crucial em Xadrez: a guerra mágica é a indicação que a Educação Física tem os recursos humanos adequados por serem: os responsáveis pelo desenvolvimento físico dos alunos; os que melhor podem avaliar a necessidade de usar o xadrez como apoio ou atividade alternativa. Baseado nessas observações sugere-se a instituição do xadrez no currículo das Faculdades de Educação Física porque o aprendizado do xadrez pelos acadêmicos poderia favorecer a compreensão das estruturas do pensamento lógico, tornando mais capazes. O autor da obra citada no inicio deste parágrafo faz quase que um apelo no sentido de se implantar o xadrez nas instituições de ensino superior por desconhecer a existência dessa atividade em alguma faculdade.

Versadas as linhas sobre preocupação em relação ao recurso humano, principal elemento no processo de iniciação e aprofundamento do aluno, criança no xadrez, agora apontamos algumas das áreas em que pode ser observado sucesso em conjunção com a atividade enxadrística como: nas relações interdisciplinares; estudos sociais; na educação artística; na integração familiar; no rendimento escolar; na evasão escolar; na melhoria da leitura; na educação física; na introdução a informática; entre outras. (KLEIN, 2003, p 87-48)

CONCLUSÃO

Sendo assim, a implantação deste projeto de xadrez visa não somente garantir uma ferramenta em que contribuirá nos seus aspectos cognitivos, ético, social e cultural, como também a visibilidade da eficiência, da eficácia e da efetividade para os alunos, os professores e as instituições ao engajá-lo.