4 regras para melhorar o cálculo no xadrez
Artigos Terça-Feira, 30 de agosto de 2016

 

 

Texto de Daniel Muñoz publicado no http://thezugzwangblog.com/mejorar-el-calculo-en-ajedrez-las-4-reglas-basicas/

Traduzido do Espanhol por Vanessa Rodrigues

 

Melhorar o cálculo no xadrez evita ter que dizer uma frase que, com toda certeza, você já escutou em algum torneio: “Estava com a partida ganha, mas acabei perdendo por um erro de cálculo”. Podemos escutar algo ainda pior: “Estava com a partida ganha e perdi por tempo”, o que muitas vezes trata-se de uma forma disfarçada de cálculo incorreto.

 

O cálculo é algo como um primo pobre da tática. Enquanto que resolver problemas de tática ou buscar combinações de xeque-mate possa ser visto como um desafio em nossa preparação, tratar de melhorar nosso cálculo em posições que não conhecemos muito bem, pode transformar-se em uma tarefa um tanto tediosa. O cálculo não é fácil, porém, quando melhorado, pode trazer resultados incríveis na sua força de jogo.

 

O cálculo é uma parte da técnica enxadrística. Às vezes pensamos que os Grandes Mestres são dotados de uma capacidade excepcional de cálculo o que, talvez, seja um pouco verdade. Mas é certo que todo jogador profissional dedica grande parte de seu tempo exercitando sua capacidade de visualização, sua visão espacial e sua capacidade de compreender profundamente o que está acontecendo no tabuleiro.

 

Por todas essas razões, quero explicar quais são as regras que você deve levar em consideração na hora de se preparar para melhorar o cálculo no xadrez:

 

Regra número 1: Persistência. Existem muitos exemplos históricos de persistência. O que diferencia o êxito do fracasso é a persistência. Você deve ter claro em sua mente o que espera do teu nível de jogo para então saber como deve agir. Feito isso, você deve cuidar para que sua preparação se adapte a essas ideias. Se isso não estiver claro, então as ideias desordenadas governarão sua mente e será muito difícil dirigi-la a algum objetivo concreto.

 

Regra número 2: Aprendizagem ativa. O cálculo de variantes é provavelmente a parte do treinamento de xadrez que mais requer um aprendizado ativo. E o que isso significa? Distinguiremos aqui três formas básicas de aprendizagem de xadrez:

 

1 – Aprendizagem passiva:

 

Consiste em reproduzir partidas, variantes de aberturas, ver vídeos que explicam como jogam os Grandes Mestres. Em resumo, abrimos nossos olhos e a informação flui diante deles. É útil para a aquisição de critérios, métodos e regras fixas, para enfrentar situações conhecidas e recorrentes. Esse tipo de aprendizagem, em menor proporção, também tem um componente de memorização, isso porque memorizamos conteúdo sem compreendê-lo e sem relacioná-lo a nossos conhecimentos prévios, e com isso podemos não entender o significado dos mesmos.

 

2 – Aprendizagem pseudopassiva:

 

É a que acontece, por exemplo, quando analisamos nossas próprias partidas. É um tipo de aprendizado por descobrimento no qual somos capazes de descobrir os conceitos e suas relações e então conseguimos reorganizar esses conceitos para adaptá-los aos nossos esquemas cognitivos, de pensamento. É extremamente útil para corrigir hábitos adquiridos e para tomar consciência de nossas falhas. Para alguns autores como Dvoretsky ou Yusupov, essa é a chave para melhorar no xadrez. Um bom treinador é bastante útil nesse tipo de aprendizado.

 

3 – Aprendizagem ativa:

 

É a mais difícil das três, mas muito produtiva a médio prazo. Nesse caso, a pessoa que deseja melhorar no xadrez tem que se exercitar. Da mesma forma que nos exercitamos quando corremos e nos esforçamos para superar uma marca, assim também acontece com nossa capacidade de cálculo. Podemos ver vídeos que nos ensinem como correr melhor, como respirar e aumentar o ritmo da corrida, e podemos nos tornar verdadeiros teóricos do atletismo. Mas para correr melhor é necessário correr, esforçar, praticar. Do mesmo modo, não adquirimos um melhor conhecimento do jogo, mas incorporamos importantes competências que nos permitem jogar melhor, como, por exemplo: agilidade mental, confiança em nós mesmos, menor medo de correr riscos, criatividade, melhor manejo dos apuros de tempo.

 

Trata-se, portanto, de enfrentar o tabuleiro, fazer exercícios de ataque e defesa, e somente comprovar as soluções depois de ter estudado as possibilidades por, pelo menos, 10 minutos.

 

Regra número 3: Constância. Se a persistência é a capacidade de não desistir, a constância é a capacidade de manter um aprendizado constante. É preferível fazer meia hora de exercícios todos os dias, ou dia sim dia não, que fazer 8 horas de exercícios em um dia e não fazer nada nos outros. No que diz repeito aos exercícios de cálculo e tática, quer dizer, resolver problemas e encontrar a “melhor solução”, muitos treinadores de prestígio internacional, como August Livshitz, recomendam não fazer exercícios mais de 2 dias da semana. Não porque seja negativo, mas sim porque não são observadas melhoras significativas quando feitos diariamente. Nos demais dias, pode-se dedicar a preparar finais e aberturas.

 

Regra número 4: Fazer exercícios invertidos. O que é isso? Chamamos exercícios invertidos a tentativa de resolver um exercício de ataque e defesa no qual, por exemplo, jogam as Brancas, com o tabuleiro colocado em posição contrária. Dessa maneira, desenvolvemos bastante o cálculo profilático, já que será muito mais difícil encontrar a variante correta.

 

Esperamos que essas dicas ajudem a melhorar o seu cálculo!